05/12/2011
É que essa magia dos craques que assisto
não é de outras teologias
não é ocultismo
não é vodu, xamanismo,
pajelança anti-lógica
encolhedora de cabeça
ou amarração do amor.
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É só ilusionismo.
O truque de passar a bola rápida entre os pés
de ter botão debaixo da mesa
fundo falso, nuvem de fumaça:
é David Copperfield.
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O tigre que cavalgam é digital,
Siegfried and Roy dos melhores momentos:
a bola faz piruetas (mas dentro não vemos o controle remoto).
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Não sabem ervas, nem invocam espíritos invocam espíritos:
são intrincados mecanismos de silício e evangelho,
monoteístas demais pra possessões.
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Ilusionam como executivos:
vim, vi e venci.
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Não são magos:
são joysticks.
O lance
é não perder a piada:
piu.
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O comentário:
comentamos o que foi comentado,
comentando com comentários
o comentário.
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Blábláblá…(x140)
A fronteira do Brasil usa cinto de castidade:
mestre forasteiro não bota a mão na seleção!
Menina pura criada pra ser retalhada
entre o capital internacional,
não terá fräulein gringa ensinando
segredos de liquidificador.
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Na TFP do futebol, como esquecer da pátria?
Imagina o time de guerreiro
guiado por um argentino
(Oh, Capitán, mi Capitán!)?
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Na TFP do futebol, como tirar das famiglias da bola
o direito de ter o filho bacharel em futebolês
sendo técnico do escrete pentacentão?
Imagine sir Professor Sparrow, PhD.
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Na TFP do futebol,
o Brasil é para os brasileiros.
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Só numa hipótese, o gringo viria:
se a Propriedade continuar dando prejuízo.
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Afinal, a TFP brasileira conserva a Tradição:
mas a Famiglia precisa de Propriedade.
Tem esse lado Pós-moderno dele,
de falar calculadinho,
que deixa tudo chato pra caralho.
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Mas tem o outro.
Esse é Romântico.
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Romantismo de só desejar uma camisa.
E não se trata de monogamia fingida
de casal oficial – é Amor.
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Romantismo de dizer pro torcedor:
compra minha camisa e fica sossegado,
não vai mudar ano que vem.
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Não ser folhinha de calendário.
Ser monumento.
Não são as bandeiras que matam.
São as falanges que as seguram -
mas essas são parte fundamental da máquina.
São mastros onde a política pendura
sua bandeira de pirata,
eixos violentos que fazem a linha andar na linha reta.
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Bandeiras são gritos que dão em linha curva:
o que pensamos, mais o braço e o vento.
Como um caldeirão de almas que se mexe,
como o mar, se defendesse ideias.
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Gritos não param no ar.
Quando se mata, é na garganta.
Cacetete no pescoço,
mordaça,
cala que nem te escuto.
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As bandeiras voltam.
A violência nunca saiu.
Desmaterializou de madeira
em braço,
cavalo
ou confederação.
Em português-brasileiro,
Democracia
significa
governo do demo.
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Então, abusa, abraça o diabo
(benefício de ser assexuado),
e faz um grande país do teu gosto.
É estar na moda:
customizar
leis
a gosto do freguês
(e seus costumes).
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Se se morre de fome básica,
o que esperar do ópio?
(agentenãoquersócomidaagentequercomidadiversãoearte)
Se gente morre, é o limite.
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E lá vai futebol,
gangsterizando.
Se acha ruim, problema é teu, torcedor.
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Nem falo em censura – os times não têm ouvido.
Não precisa de jagunço de espingarda:
o campo é longe pra tua voz se dissipar em vaia.
E vaia é assim: palavrão esfarelado em palavrinha.
Ex.: vai tomar no cu! → u
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O futebol é empresa pra quem você torce
o coração ao meio
e pinga sangue.
Mas é capitalismo duas caras:
uma olha pra hoje (o olho brilha em euro),
outra pro passado (quebrou, pagou).
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O torcedor clama: um SAC, um Ombudsman,
uma Ouvidoriazinha que me ouça.
Um e-mail, ainda que em formulário.
Um atendente de telemarketing, ainda que mal-entendido.
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Mas não.
Se vira, meu.
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Na Democracia sem votos
dos times de futebol,
Presidente não te escuta
nem em ano
(de colégio)
eleitoral.